COP30 em Belém: The New York Times destaca desafios de organização e críticas ao Brasil
- Redação

- 17 de set. de 2025
- 2 min de leitura

Em uma reportagem especial, o jornal The New York Times aponta que a capital paraense, Belém, se prepara para sediar a COP30 em novembro, mas a conferência do clima no Brasil, que prometia ser uma vitrine de soluções na Amazônia, transformou-se em um foco de críticas e desafios logísticos. A menos de oito semanas para o início das negociações, problemas com hospedagem, ausência de nações-chave e acusações de hipocrisia lançam uma sombra sobre a diplomacia climática brasileira.
A realização da COP30 em Belém foi uma aposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para colocar a Amazônia no centro do debate global. Contudo, a escassez de acomodações acessíveis na cidade é o problema mais imediato. Segundo relatos de diplomatas citados pelo jornal, a falta de quartos a preços justos pode impedir a participação de nações em desenvolvimento, as mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas.
A polêmica da hospedagem na COP30
A questão da hospedagem ganhou destaque quando diplomatas relataram a dificuldade de encontrar quartos acessíveis em Belém, uma cidade que não possui a infraestrutura turística de grandes centros. Cerca de dois terços das delegações ainda não haviam garantido acomodação. O problema, segundo o The New York Times, ameaça minar o princípio de inclusão da conferência. Ilana Seid, diplomata da ilha de Palau, criticou a situação: “Não podemos defender questões críticas para a nossa sobrevivência se não conseguirmos nem chegar lá”.
Em resposta, o diplomata brasileiro André Corrêa do Lago, responsável pelas negociações, classificou a situação como um "mal-entendido". Ele afirmou que o governo disponibilizou mais de 53 mil quartos, incluindo opções de menor custo, e está buscando parcerias com bancos e filantropias para subsidiar as despesas dos participantes. O governo brasileiro também formou uma força-tarefa para combater a "prática abusiva de hospedagem", já que o valor de diárias que custam normalmente US$ 100 saltou para até US$ 600.
Críticas e contexto geopolítico da conferência do clima
A polêmica sobre a hospedagem é apenas um dos desafios que o Brasil enfrenta, conforme detalhado na reportagem do The New York Times. O país anfitrião tem sido alvo de críticas por diversas razões:
Hipocrisia climática: Apesar de se apresentar como defensor da Amazônia, o governo brasileiro está autorizando novas explorações de petróleo e gás, o que atrai acusações de ativistas e diplomatas.
Ausência dos EUA: A expectativa de que os Estados Unidos, um dos maiores emissores históricos, não compareçam à conferência adiciona uma camada de desconfiança à diplomacia global.
Financiamento climático: Bilhões de dólares prometidos por nações ricas para ajudar países pobres a combater a crise climática ainda não se materializaram, o que gera frustração entre as delegações mais vulneráveis.
A COP30, que tem como objetivo frear o aquecimento global, precisa do consentimento unânime das nações, mas os desentendimentos geopolíticos têm rotineiramente minado propostas ambiciosas. Para Richard Muyungi, chefe dos negociadores africanos, a falta de espaço mina o discurso de inclusão da COP30: “Fomos informados de que o propósito de sediar este evento no Sul Global era a inclusão, mas como podemos ter inclusão com tão pouco espaço?”.
Apesar das pressões para que parte da conferência seja transferida para uma cidade maior, o diplomata André Corrêa do Lago mantém sua posição firme: “Será em Belém”.
Com informações de: The New York Times











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