Lula fará seu 10º discurso na ONU em meio a tensões diplomáticas com os EUA
- Redação

- 22 de set. de 2025
- 2 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Nova York para proferir seu décimo discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU, que chega à sua 80ª edição. A pauta diplomática do Brasil está em destaque, especialmente após as recentes sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras, incluindo a esposa do ministro Alexandre de Moraes. A gravidade da situação fez com que o texto do pronunciamento de Lula permanecesse em aberto até o último minuto, permitindo uma resposta imediata a qualquer nova medida vinda do governo americano.
A crise bilateral é considerada a pior em mais de 200 anos de relações, agravada pelo aumento de 50% nas tarifas americanas sobre produtos brasileiros e as sanções contra membros do Judiciário. A expectativa é que Lula defenda a soberania e a democracia brasileira em seu discurso, ainda que deva evitar mencionar nominalmente o presidente Donald Trump.
Sanções e tensões elevam o clima antes do discurso na ONU
A tensão aumentou na última segunda-feira (22), quando os EUA incluíram a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF, Alexandre de Moraes, na lista de sanções da Lei Magnitsky. O próprio ministro já havia sido penalizado em julho. Na semana anterior, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, já havia sinalizado que mais ações seriam tomadas, mencionando o que ele chamou de "ruptura do estado de direito" no Brasil após a condenação de Jair Bolsonaro por tramar um golpe de Estado.
O presidente brasileiro deve fazer seu discurso na ONU minutos antes de Trump. A imprevisibilidade da fala do líder americano é um dos principais pontos de incerteza para diplomatas brasileiros. A eventual menção ao Brasil ou a Bolsonaro por parte de Trump poderá indicar o real impacto da condenação do ex-presidente para os EUA. Nos bastidores da ONU, não há expectativa de um encontro formal entre os dois líderes.
Evento em defesa da democracia: EUA são excluídos
Em um sinal claro de distanciamento, os Estados Unidos foram excluídos da segunda edição do evento "Em Defesa da Democracia e Contra o Extremismo", co-organizado por Lula em Nova York. A decisão, tomada em conjunto com líderes de Chile, Espanha, Colômbia e Uruguai, é justificada pelo governo brasileiro como uma reação às recentes ações de Washington, que questionam a democracia e as instituições do Brasil. No ano passado, sob a gestão de Joe Biden, os EUA foram convidados e enviaram um representante.
A postura brasileira reflete a avaliação de que as ações do governo Trump são incompatíveis com um fórum que busca defender a democracia e se articular contra o extremismo. Essa é mais uma etapa da escalada de tensões entre os dois países.
Com informações de: G1











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